O POV veio do mercado adulto e hoje domina o conteúdo digital no Brasil e no Mundo

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O POV veio do mercado adulto e hoje domina o conteúdo digital no Brasil e no Mundo

A linguagem POV (Point of View) é tão natural no conteúdo digital brasileiro que raramente questionamos suas origens. Falar diretamente com a câmera, narrar experiências em primeira pessoa e transformar o espectador em interlocutor é hoje prática comum entre youtubers, streamers e criadores de conteúdo em geral. O que muitos não percebem é que essa linguagem vem diretamente do universo do mercado adulto (isso mesmo, veio do pornô) e foi formalmente estruturada por pioneiros internacionais e nacionais.

Do gonzo ao POV: a origem

O conceito moderno de Gonzo, que deu origem ao POV, surgiu nos Estados Unidos no final dos anos 1980 com John Stagliano, também conhecido como Buttman. Stagliano foi um dos primeiros a sistematizar o que viria a ser chamado de pornografia gonzo, caracterizada por:

  • Gravação em primeira pessoa
  • Interação direta com o espectador
  • Ausência de roteiro tradicional
  • Ênfase na sensação de imersão

A proposta de Stagliano transformou o conteúdo adulto, deslocando-o de cenários artificiais e narrativas encenadas para um estilo mais visceral, próximo e imediato, o que estabeleceu a base técnica e estética do que chamamos de POV.

John “Buttman” Stagliano

O papel de Stanlay Miranda no Brasil

No contexto brasileiro, o POV não se popularizou imediatamente. Quem ganhou notoriedade foi Stanlay Miranda, que adaptou e consolidou a linguagem gonzo/POV no mercado adulto nacional, tornando-a reconhecível para o público brasileiro.

Sua contribuição pode ser destacada em três pontos:

  1. Uso sistemático: Stanlay não aplicava o POV ocasionalmente; ele estruturava todo o conteúdo em primeira pessoa, tornando-o um estilo constante.
  2. Criação de repertório visual e cultural: Ao consumir esse tipo de conteúdo, o público brasileiro se acostumou com a sensação de presença, quebra da distância e diálogo direto com o espectador.
  3. Influência indireta no mainstream: A estética popularizada por Stanlay deixou marcas na produção digital fora do contexto adulto, especialmente em vlogs, humor, reacts e narrativas pessoais.
Joey Silveira / Stanlay Miranda – Diretor (Buttman Brasil) / Produtor / John “Buttman” Stagliano – Foto: Ferdinando MMendonça

Por que o mercado adulto foi decisivo

O mercado adulto brasileiro teve papel central na consolidação do POV por três razões principais:

  • Liberdade formal: enquanto a televisão e o cinema tradicionais seguiam padrões rígidos, o conteúdo adulto permitiu experimentações com ângulos subjetivos, improvisação e narrativa direta.
  • Escala e repetição: a produção constante permitiu normalizar o estilo POV para o público, que passou a reconhecer e aceitar a linguagem.
  • Eficácia narrativa: a sensação de proximidade e imersão era essencial para engajar o público, tornando o POV uma ferramenta narrativa comprovadamente eficiente.

Migração para o mainstream

Quando o público brasileiro já estava acostumado com a linguagem POV, ela começou a migrar para outras esferas:

  • Vlogs pessoais
  • Conteúdos de humor
  • Relatos autobiográficos
  • Opinião, análise e educação informal

A lógica do POV permanecia: a câmera é o olhar do narrador, e a interação direta com o público é essencial.

A importância de reconhecer os precursores

Chamar Stanlay Miranda de “pai do POV no Brasil” seria impreciso, mas descrevê-lo como precursor do uso massivo do POV é justo. Ele consolidou uma estética, criou repertório cultural e abriu caminho para que essa linguagem transcendesse o mercado adulto.

Ao mesmo tempo, é impossível falar de POV sem mencionar John Stagliano, que formalizou o gonzo e estabeleceu padrões técnicos e narrativos que seriam replicados mundialmente.

Tem que saber a história e o legado das pessoas!

O POV não surgiu no YouTube nem nos vlogs brasileiros. Ele veio do mercado adulto, estruturado por John Stagliano e popularizado no Brasil por Stanlay Miranda.

Hoje, essa linguagem domina o conteúdo digital brasileiro porque:

  • Cria imersão e proximidade
  • É acessível e replicável
  • Funciona em múltiplos contextos além do adulto

Reconhecer essa trajetória não é sensacionalismo: é entender que a cultura digital é histórica, coletiva e atravessada por referências marginais, que só depois chegam ao mainstream.

Via Sexxxlife.com


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